Esse é um tema urgente e merece ser debatido com profundidade. Sei que os conteúdos mais rápidos acabam atraindo mais atenção e talvez eu mesma transforme isso em vídeos curtos nas redes, mas hoje quero falar escrevendo. Escrever é a minha forma de refletir, de organizar ideias e, sobretudo, de compartilhar algo que pode ser útil para alguém.
A violência é uma questão complexa, com muitas faces. Mas hoje, quero focar em uma das mais cruéis: a violência de gênero contra mulheres, dentro do ambiente doméstico e familiar.
É por isso que esse assunto exige atenção redobrada. E é por isso que eu decidi usar meus meios de comunicação para compartilhar informação. Talvez alguém próxima de nós esteja passando por isso em silêncio. Talvez este texto ajude a abrir uma conversa, ou salvar uma vida.
A maioria dessas mulheres não denuncia. Isso ocorre porque a violência no lar é silenciosa. Ela se esconde na ideia ainda muito presente de que "em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher". E é justamente essa cultura que permite que o agressor se fortaleça, isolando a vítima, impedindo que ela fale, peça ajuda ou denuncie.
Essa violência é invisível, cotidiana, e muito perigosa.
Dados de fontes como o IBGE, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e anuários estaduais apontam o que já sabemos na prática: os números são subnotificados. Muitas mulheres não conseguem ou não podem registrar ocorrência. Mesmo assim, os dados já são alarmantes.
No Espírito Santo, por exemplo, três mulheres foram assassinadas por mês dentro de casa em 2021, a maioria por seus próprios companheiros, com idades entre 20 e 44 anos. Em Guarapari, foram registrados cinco feminicídios no mesmo ano.
A Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) foi um grande avanço. Ela ampliou os mecanismos legais de proteção e impulsionou a criação de políticas públicas e atendimentos especializados. No entanto, a lei sozinha não dá conta. E por que digo isso? Porque a violência de gênero é atravessada por fatores culturais, sociais, ideológicos e religiosos. É um problema estruturado em várias camadas e combater isso exige um trabalho coletivo e interdisciplinar.
As mulheres precisam de acolhimento. Nem sempre da forma formal ou jurídica, mas humana e próxima. Psicólogas, assistentes sociais, terapeutas e redes de apoio fazem toda a diferença. Não estou dizendo que a denúncia formal não seja necessária, muito pelo contrário. Mas, antes que a mulher consiga gritar por socorro, ela precisa se sentir segura para sussurrar.
Tenho horror a qualquer tipo de violência. Mas, quando se trata de violência contra mulheres, a repulsa é visceral. Nenhuma mulher deveria ter medo dentro da própria casa.
Toda mulher tem alguém em quem confia, uma amiga, um filho, uma irmã, um colega. Fortaleça esse vínculo. Não estamos colocando responsabilidade nas mãos de ninguém, mas criando pontes de voz, para quando o medo e a dor forem grandes demais para enfrentar sozinha.
Se não buscarmos ajuda, apoio e proteção, estaremos perdendo nossas mulheres para o silêncio. E isso é inaceitável.