quinta-feira, 30 de março de 2017
Mulheres no cárcere: realidade de mães e gestantes
terça-feira, 14 de fevereiro de 2017
Sobre a SEGURANÇA PÚBLICA no ES
Até quando vamos fingir que está tudo bem?
Confesso que hesitei em escrever. Mas me pronuncio por causas muito menores, então por que me calaria agora? Meu objetivo aqui não é agradar, conquistar fãs ou criar inimizades. Escrevo por convicção. Errado seria mudar de opinião para satisfazer os outros.
Desde 2006, mesmo que de forma indireta, minha trajetória profissional esteve voltada à Segurança Pública. Na época em que inauguramos a plataforma DpOnline da Polícia Civil do Espírito Santo, tive o privilégio de conhecer profissionais dedicados, além de contar com um mentor intelectual que foi essencial na construção da minha monografia.
A partir de 2007, aprofundei ainda mais esse vínculo, convivendo de perto com as forças militares do Estado. Militares da PM e do Corpo de Bombeiros com quem compartilhei aprendizado, desafios e, acima de tudo, um sentimento genuíno de respeito e admiração pela missão que exercem. Em 2011, estive mais próxima ainda, na intersecção entre segurança e justiça, atuando diretamente no sistema prisional onde floresceu minha paixão definitiva por essa área tão sensível e estratégica.
Desde o início do movimento atual, estive solidária aos profissionais da segurança pública. Apoiei, e sigo apoiando, a causa. Sim, as proporções do impasse aumentaram, mas essa responsabilidade não é dos policiais, e sim do governo. É também da sociedade, da qual faço parte, que por muitas vezes se omite ou se cala. Que só se importa quando o problema bate à porta. Que normaliza o crime, o furto, a receptação, como se fossem consequência do acaso, mas não são.
A polícia não é mãe nem professora para ensinar o certo e o errado. Isso se aprende em casa. A ocasião não faz o ladrão: a ocasião facilita o crime; o ladrão já estava pronto.
É o mesmo povo que, por anos, viu o vizinho ostentar armas, vender drogas, e nunca fez uma denúncia sequer. Agora, diante do caos, grava vídeos da guerra urbana e joga a culpa na polícia.
E é esse mesmo povo que votou em um governo autoritário, que agora falha em assumir sua responsabilidade. Gabriel O Pensador já dizia:
"Não adianta olhar pro céu,
com muita fé e pouca luta.
Você pode, você deve, pode crer...
Até quando você vai levar porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?"
O Executivo estadual age de forma lenta, omissa, sem pressa alguma de resolver um conflito que atinge diretamente a segurança da população. As falhas não nasceram agora. São estruturais, acumuladas ao longo dos anos e vieram à tona porque vozes corajosas decidiram não mais se calar.
Faltam equipamentos básicos, viaturas, combustível, alimentação adequada. Faltam condições mínimas de trabalho. Faltam respeito e valorização. Se não há segurança para quem protege, como garantir segurança para o cidadão?
Nunca vivemos uma crise como essa em nossa história recente. Uma tragédia que se arrasta por culpa de um governo inflexível, intransigente e politicamente paralisado. Mas a esperança resiste. Ela está nos praças, nos oficiais, nas demais categorias e também no povo que ainda acredita na possibilidade de um acordo justo e humano.
Enquanto isso, o governo age com covardia: ameaça, pune, silencia. Ignora a pauta legítima dos manifestantes e simula reuniões para enganar a população. Divulga que tudo está voltando ao normal. Mas não se engane, capixaba. Nada está normal.
O transporte segue comprometido. O IML está superlotado. O SAMU, saturado. E a insegurança se alastra.
O que estamos vivendo hoje afetará não apenas o presente, mas deixará marcas profundas no nosso futuro. Este desgoverno será lembrado e escrito com destaque nas páginas da história.
Por isso, suplico às autoridades: decidam com responsabilidade, com sabedoria, com humanidade. Ainda há tempo de preservar vidas dos cidadãos e dos policiais. O momento exige ação, diálogo, solução.
Queremos uma polícia valorizada. Queremos respeito ao cidadão.
Queremos segurança, não abandono.